Marcelo Carcanholo e Vanessa Petrelli compõe a presidência e a vice.
A eleição para a nova diretoria da SEP acontece no mês de junho, mas já há um grupo articulado oferecendo seu nome para conduzir a entidade no próximo triênio. Conheça as pessoas e as propostas a partir da carta programa divulgada essa semana.
CARTA PROGRAMA GESTÃO
2016-2018
A resposta que o próprio capitalismo
vem dando para sua crise em escala mundial evidenciou o resgate do
neoliberalismo mais explícito, sem nenhum tipo de perfumaria ou paliativo.
Tanto a tentativa de estabilização macroeconômica a qualquer custo como o
aprofundamento de novas reformas estruturais, no sentido de intensificar a
desregulamentação e liberalização dos mercados, fazem parte dos programas de
ajuste em escala mundial.
Na sociedade brasileira este fenômeno
mundial se manifesta pelo resgate do ajuste fiscal como o mantra necessário
para, presumivelmente, reconquistar a confiança dos investidores e
consumidores, e pela retórica das “reformas estruturais” que impõem mais
liberalização, privatização e destituição de direitos sociais como única
alternativa – uma vez mais – para retomar os investimentos, o crescimento e o
desenvolvimento da economia brasileira. A concepção econômica ortodoxa, que
prega o ajuste recessivo como única forma (correta) de responder aos impactos da
crise da economia mundial, se explicita claramente na política econômica do
governo que vem abdicando do uso de instrumentos e concepções tidos como
(neo)desenvolvimentistas, em prol do liberalismo econômico. Os impactos
sociais, políticos e econômicos dessa estratégia já são evidentes, e apontam
para o esgarçamento social e político de nosso país.
Especificamente no aspecto político é
preocupante o rápido avanço de visões radicalmente de direita, que combinam o
resgate de posições políticas extremamente conservadoras com uma completa
intolerância ante qualquer posicionamento divergente, mesmo que esse se limite
apenas à defesa da mais ampla e irrestrita garantia dos direitos democráticos. Devemos estar alertas a
movimentos deste tipo, pois, se necessário, e nos limites da natureza de nossa
Instituição, temos que nos opor aos excessos. Este acirramento das posições políticas mais reacionárias
se combina com o avanço do rechaço ao pensamento econômico não convencional nas
Universidades brasileiras. Não é irrelevante a tentativa, tanto no meio docente
quanto discente, de minimizar o ensino e aprendizado de autores como Marx,
Keynes, Kalecki, Schumpeter, dentre outros que se caracterizam por terem
produzido análises críticas em relação ao pensamento dominante.
A SEP, desde a sua fundação, se
caracterizou pela defesa do pensamento crítico em Economia. Esse reconhecimento
extrapolou nossas fronteiras, de forma que nossa Sociedade Brasileira de
Economia Política, em função do trabalho de todas suas diretorias e de seus
muitos membros, é mundialmente conhecida como uma das maiores e mais
importantes instituições do pensamento crítico mundial.
O que propomos aqui é, portanto,
acentuar o caráter da SEP como espaço de promoção, divulgação e intensificação
do pensamento crítico em economia. Isto pressupõe, por um lado, o pluralismo
teórico-metodológico. Não se trata de substituir uma ortodoxia, de uma teoria
econômica por outra, qualquer que seja ela. Justamente o contrário. Não é
possível desenvolver o pensamento crítico sem o debate franco e sério entre as
distintas teorias sociais e econômicas que procuram interpretar a realidade em que
vivemos. Por outro lado, é também pressuposto o caráter necessariamente
interdisciplinar na constituição do pensamento crítico. As teorias econômicas
não se constituem de forma autônoma. Existem diversas teorias econômicas porque
existem diversas teorias sociais e, em última instância, diversos
posicionamentos filosófico-políticos sobre o mesmo objeto de entendimento.
Portanto, uma adequada compreensão da economia deve incluir também a maior
abertura para a contribuição do pensamento crítico em outras áreas do
pensamento social, como sociologia, serviço social, história, ciência política,
relações internacionais, geografia, filosofia, antropologia, dentre outras.
Pluralismo teórico e interdisciplinaridade são inseparáveis no objetivo de
promover e divulgar o pensamento crítico.
Esse objetivo se articula com a
proposta de ampliar a cooperação nacional e internacional com outras instituições,
que nos permita amplificar a promoção e divulgação dos trabalhos críticos em
economia. Trata-se portanto não apenas de aprofundar as relações já existentes,
mas também de buscar e criar outras organizações que ainda não tenham trabalhos de cooperação com
a SEP e que defendam sua mesma perspectiva crítica e pluralista.
No mesmo sentido de apostar no
aprofundamento de atividades que já se mostraram exitosas, pretende-se
consolidar os Grupos de Trabalho já existentes na SEP e, ao mesmo tempo,
promover outros que se apresentem. O objetivo com estas atividades, desde o
início, tem sido promover a cooperação entre docentes e discentes que trabalhem
em uma mesma (ou similar) temática, de forma a realizar encontros específicos,
de caráter regional ou inseridos dentro do ENEP, com apresentações de
trabalhos, promoções de mini-cursos, lançamento de publicações específicas,
dentre outras atividades.
As atividades dos Grupos de Trabalho têm
se mostrado tão exitosas que a proposta é que eles incorporem, na medida do
possível, e dada a temática específica de cada um, a cooperação efetiva de
trabalhos conjuntos e discussões de pesquisadores, com a perspectiva crítica de
economia política, na América Latina e outras regiões do mundo. Com isso,
estariam sendo conjugados vários objetivos aqui propostos.
Ademais da consolidação e ampliação das
atividades já realizadas pela SEP, pretende-se desenvolver novas formas que, de
fato, possam ampliar o espaço de inserção dos discentes, tanto de graduação
como de pós-graduação. Isso se aplica tanto nas atividades já realizadas quanto
em outras que possamos criar, como cursos de extensão com a chancela da SEP,
publicações promovidas com a mesma chancela, encontros regionais, etc.
Avalia-se que a renovação dos nossos membros, incorporando os futuros novos
professores e pesquisadores é um fator estratégico para nossa atuação no médio
e longo prazos.
Como forma de coordenar todas essas
propostas, pretende-se consolidar a experiência da Direção Ampliada, que tem se
mostrado bastante operativa nas últimas gestões. Dessa forma, além da Diretoria
formalmente eleita, podem participar e contribuir em processos consultivos
outros militantes de nossa Sociedade Brasileira de Economia Política.
Composição
da Chapa:
Presidente: Marcelo Dias Carcanholo
(UFF)
Vice-Presidente: Vanessa
Petrelli Correa (IE-UFU)
Diretores:
Ramón Garcia
Fernandez (UFABC)
Márcio Lupatini
(UFVJM)
Pedro Rossi (Unicamp)
Frederico Katz (UFPE)
João Leonardo Gomes
Medeiros (UFF)
Tiago Camarinha Lopes
(UFG)
Maurício Sabadini
(UFES)
Nenhum comentário:
Postar um comentário